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O agronegócio em meio à pandemia

Um ano de mudanças profundas, 2020 marcará presença nas páginas dos livros de história. Uma pandemia que tornará, em um período não muito distante, a sociedade de 5 meses atrás, irreconhecível perante à nova sociedade civil em formação. Diante dessa transfiguração, encontra-se o agronegócio, um setor complexo que foi impactado de maneiras diferentes e, em alguns casos, até beneficiado. 

Tomemos como exemplo a cadeia do etanol, um setor fortemente afetado pela crise sanitária. Enquanto o vírus ainda localizava-se no continente asiático, eclodia uma crise geopolítica entre Irã e Rússia, que culminou em forte queda no preço do barril de petróleo. Para adicionar mais uma problemática, políticas de distanciamento social foram adotadas ao redor de todo globo, diminuindo a demanda por combustíveis devido à retração de necessidade de combustíveis fósseis e derivados do petróleo, conduzindo os preços do petróleo a incríveis patamares negativos no mercado de commodities. Com seu principal concorrente muito mais rentável, o setor do etanol se vê diretamente ameaçado pelo COVID-19.

Para diminuir a velocidade de transmissão do novo vírus e não colapsar os sistemas de saúde, a adoção do isolamento foi necessária, porém, como já mencionado, os impactos econômicos são trágicos, com um enfraquecimento de 4,7% a 5,3% do PIB brasileiro, segundo o FMI e a União. Assim como os biocombustíveis, o setor de restaurantes foi, em sua maior parte, paralisado, com um pequeno estancamento da crise derivado dos serviços de entrega, enquanto que a floricultura enfrenta algo parecido, haja vista que o maior sustentáculo do setor eram circunstâncias intrínsecas ao contato social, como os eventos, e quase todas foram suspensas.

Apesar desse cenário extremamente sombrio, em variados aspectos, é importante que nós possamos observar elementos positivos e perspectivas de melhora, nos mais variados âmbitos. Em contrapartida à retração em outros setores, destacam-se a citricultura, a avicultura, a produção de soja e de milho. Na produção de laranja e seus derivados, houve grande influência do coronavírus, assumindo que a laranja possui vitamina-C e esta é fundamental à imunidade, houve crescimento exponencial da demanda, objetivando coibir a ação viral. Já na avicultura, o ovo passou a ser mais visado, porque é uma fonte proteica mais barata e de manipulação prática. Além disso, o cluster agrícola da soja e do milho foram beneficiados pela taxa cambial, que favoreceu imensamente as exportações.

Ademais, outro setor positivamente afetado foi o da carne, que com a crise de suplementos de ração na China somada ao problema da peste suína africana resultaram em uma menor capacidade de produção chinesa no setor. Um fator adicional, mas não menos importante é a regulamentação dos chamados “wet markets”, os quais, com o surgimento do vírus, passaram a ser menos atraentes e tendem a diminuir sua participação na dieta dos chineses. 

A partir da avaliação dessas benesses, avaliamos que, a carne, assim como outros setores acima citados, tem grande possibilidade de avanço na crise, visto que há uma previsão de consumo de 8 kg de carne por habitante/ano na China nos próximos 10 anos e, isso representa 60% da exportação brasileira de carne somente em um país. Assim, é claro que existem boas margens de crescimento para o agro no Brasil e, há uma chance real de nos consolidarmos como o “celeiro do mundo”. Cabe a nós, melhorarmos nossa assertividade no cenário internacional para alcançar tal posição.



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